O vento soprava. Os flocos de neve, como pequenas agulhas,
eram lançados sobre os passantes, que se apressavam em busca de abrigo. Eu era
um deles. Mas na verdade, eu não passava. Estava parada, esperando o ônibus que
não vinha.
Com aquela pressa própria de cidade grande, eles me dirigiam
um olhar fugaz enquanto passavam. Uma
expressão de espanto estampada na parte visível de seus rostos.
Passaram 2. Passaram 5. Passaram 10. 30, 40 e o ônibus não
vinha. Precisei de uma bela coleção de olhares de espanto, antes de me dar
conta de que a minha ideia não era brilhante.
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